sexta-feira, 14 de outubro de 2011

sobrescrever

Tive uma péssima formação acadêmica. Culpa minha e, também, da reca de professor sem futuro com quem convivi durante o curso de comunicação social na UFRN. No frigir dos ovos, só cheguei a experimentar o tal texto científico na hora da temida monografia (e, no meu caso, foi um projeto experimental - mas levei o relatório a sério). Por isso, tem sido um desafio me adaptar ao discurso acadêmico no mestrado.

Escrever, para quem tem costume, não é complicado. Mas, para quem tem algum critério, é também um sofrimento. Mas, o pior até agora tem sido preparar os artigos científicos como se fosse a primeira vez. Sabe aquela sensação que se tem, ao chegar a uma redação, de que aquelas cinco linhas que o editor lhe pediu serão refeitas ad infinitum, ou ficarão ridiculamente mal feitas na edição de amanhã? É parecido, só que geralmente você precisa reescrever 10, 12 laudas.

Por outro lado, é bom ser um principiante novamente, ter a sensação de pisar em terreno minado ao lidar com o teclado. Quando você vai pegando o traquejo da notícia, ou da reportagem, por exemplo, há uma acomodação da narrativa - aquilo que alguns, mais audaciosos ou cheios de si, costumam chamar de estilo. Eu mesmo, em algumas reportagens, já vinha notando isso nos meus textos.

Mas, como imprimir um 'estilo' a um discurso tão esquematizado como o científico? Tenho lido bons trabalhos de gente tarimbada, mas que tão na lida há, no mínimo, uma década. Dá uma certa aflição pensar que essa 'marca pessoal' possa demorar tanto tempo para ser atingida.

2 comentários:

françois disse...

Nunca consegui obter um "estilo", pelo menos que eu próprio conseguisse reconhecer a consistência. Deixei pra lá. Na redação acadêmica importa ser claro, facilitar a compreensão, ajudar a vida do leitor, porque é onde se vai tratar das coisas complicadas que o discurso prosaico contorna. O orientador é basicamente pra isto, pra dizer que o seu texto é minimamente compreensível na comunidade de especialistas para a qual ele é dirigido. É o único critério concreto que eu consegui reter, e mesmo assim, só pra redação acadêmica, também.

Alexandre disse...

O pior, cara-pálida, é ter que sair da secura do texto jornalístico para uma escrita mais, digamos, ampliada. No mestrado foi bem complicado para achar um equilíbrio entreas duas perspectivas.
Mas, enfim, depois do quarto ou quinto artigo você,pega o jeito e segue...