sábado, 28 de janeiro de 2012

do the right thing

a noite avança junto com o calor. é uma e meia da madruga mas ainda assim ele sua feito um porco (nunca viu um porco suar, mas eles fedem e portanto devem suar para caralho). as piúbas de cigarro se amontoam na escrivaninha e a luta contra o teclado e a tela em branco não está nem perto do fim. faz horas que ele está ali sentado e ainda não saiu da primeira lauda - são muitas pela frente, ele sabe, mas elas não vêm, estão ali, em algum lugar de sua cabeça, rindo da sua cara. escrotas. ele sua feito um retirante (nunca viu um retirante, mas eles sempre têm aquela nódoa embaixo dos braços e no peito quando aparecem nas fotos) e acende mais uma bituca, dessa vez é um baseado pra ver se a cabeça relaxa e esquece pelo menos por enquanto dos prazos e da pressão do editor, que já ligou dezessete vezes cobrando a porra do texto e deixou bem claro que a grana, curta que nem o pinto dele deve ser, não vai sair de jeito nenhum se ele não estiver com a trolha de frases no e-mail dele amanhã às sete. e já é uma e meia, mas o calor não dá trégua, putaqueopariu, quem consegue escrever desse jeito? se ao menos ela estivesse ali, se ao menos ela tivesse ligado, se ao menos ela não tivesse sumido há mais de uma semana levando o pouco que havia sobrado de dinheiro e juízo, quem sabe ele pudesse terminar essa merda e seguir em frente, mas ele está parado, na frente do computador, apagando três em cada cinco sentenças que por algum milagre ele consegue obrar em quanto o suor escorre pelo seu pescoço e suas costas grudam no espaldar da cadeira. ele sua feito uma cuscuzeira (nunca viu uma cuscuzeira suar, mas por que diabos inventaram esse ditado afinal?). acabou a birita faz dias, o café é a única coisa fria na maldita casa e os cigarros vão amargando na boca. de repente, não mais que de repente, sobe aquele mormaço e o ruído no telhado começa. chuva. só podia, um calor da porra desses no meio da madrugada. o cheiro de terra sobe do quintal, entra pela sala, ignora cada um de seus dilemas e se instala em suas narinas. o barulho aumenta. o que fazer? o editor que se foda. que se fodam também o computador, os cigarros, essa página mal escrita do caralho, que se fodam ela e seu silêncio. lá fora tá chovendo e esse calor vai ter que passar. é o jeito.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

lovecraft

era um filho da puta misógino e racista, mas é difícil imaginar como seria a literatura de horror do século 20 sem sua presença. Além de ter lançado as bases do chamado 'horror cósmico', Lovecraft escreveu um ensaio importante sobre o estilo, 'O Horror Sobrenatural na Literatura' (ainda que datado e pouco versado nas mumunhas da teoria literária).

Por isso, a dica de hoje é para a leitura desse artigo comparando sua obra de horror com a pioneiro Edgar Allan Poe.

Na sequa, caia matando nesse ensaio altamente pirateado do Michel Houllebecq sobre o cara. E aprenda inglês, infeliz.