segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

abelardo barbosa

Assisti por esses dias, no GNT, ao documentário 'Alô, Alô, Teresinha', do Nelson Hoineff. Um tanto quanto atrasado, assumo, mas é uma pena que obras como essa não circulem pelas salas de cinema e a gente acaba tendo que esperar para que cheguem à TV (o filme foi lançado em 2009). O Brasil tem tradição no documentário, que o diga a obra de Eduardo Coutinho, e o filme de Hoineff só vem engrandecer essa tradição.




A grande sacada de 'Alô, Alô, Teresinha' é de evitar ao máximo o clichê de "o homem por trás do mito". Não interessa quem foi Chacrinha, como ele começou, como era sua vida familiar e coisa e tal. Há espaço para expor algumas idiossincrasias do homem, mas, no geral, o documentário descreve compropriedade as características do personagem midiático que ele criou.

O grande tema do filme me parece ser a exposição das engrenagens da fama, esta estranha e fugidia divindade. Apoiando-se basicamente em imagens de arquivo (uma pesquisa até interessante, mas no geral pouco explorada se considerarmos que o programa foi ao ar quase por duas décadas) e entrevistas com ex-calouros, cantores, ex-chacretes e técnicos que trabalharam no programa, 'Alô, Alô, Teresinha' desconcerta ao mostrar como a ilusão do sucesso (ou mesmo a luta para manter-se ligado a ele) pode ser cruel.

Cruel como era também o humor do Velho Guerreiro, que usava o povão como bucha de canhão para turbinar a audiência do programa. Claro que ninguém era inocente, mas o sonho da fama cega até quem já o alcançou (como fica evidente nas entrevistas com Wanderley Cardoso e Agnaldo Timóteo), imagine aí outros personagens mostrados no filme que (no caso dos calouros) não parecem ter o juízo meio firme.

De todo modo, um filme fundamental para entender a televisão brasileira.

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O velho também escreveu sobre esse filme no blog dele. O texto tá melhor que o meu.

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